Os meus filhos têm "pele atópica"

Sou sincera, antes de ser mãe desconhecia todo um mundo de doenças, -ites e -oses! Ainda hoje desconheço muitas delas, felizmente. Os meus dois macaquinhos têm sido muito saudáveis, dentro do esperado para as suas tenras idades. Tirando uma ou outra constipação, virose ou tosse malandra.

Mas à parte destas "simples" doenças passageiras, temos desde sempre a fiel companhia da Dermatite Atópica, diagnosticada logo cedo no Vicente e ainda mais precocemente no Vasco.



Ora bem, descobrimos a dermatite atópica quando o Vicente tinha cerca de sete meses de idade e desde aí, nunca mais nos abandonou. 

Por volta dos quatro ou cinco meses, a pele do miúdo começou a ficar seca, com manchas avermelhadas na cara, dobras dos braços e pernas, principalmente. Uma ou outra mancha no corpo, e todas elas lhe faziam imensa comichão. Não sabíamos o que era e ao início relacionamos com algum creme que pudesse ter feito reacção. 
O Vicente nasceu num verão muito quente e, por isso também associámos a pele seca ao calor que se fazia sentir ainda em Outubro. Hidratávamos o quanto podíamos com o hidratante da Uriage (que é uma marca óptima para bebés) e a pele acalmava. 
Só quando chegou o inverno é que a situação piorou. Com o frio, a tendência de qualquer mãe (e pai) é agasalhar os seus filhos e eu não fui excepção. Nunca exagerei neste aspecto porque os miúdos não sentem muito mais frio do que nós, mas lá lhe vesti uma "collanzinha" (faz de conta que é assim que se escreve) por baixo das calças. Pumba, hospital com a criança porque estava com um principio de infecção nas dobras dos joelhos. E foi aqui que começou a nossa saga com os corticóides, antibióticos tópicos, e comichões malucas.

Este é o Vicente com oito meses. 

As recomendações da pediatra foram simples, manter a roupa no mínimo essencial. Se eu não uso collants por baixo de calças então o meu filho definitivamente também não precisa delas. Conclusão, três pares de collants novos que não usou. Tranquilo... Usar apenas fibras de algodão, linho ou lã, dependendo da estação do ano. Hidratar a pele com um hidratante específico para o efeito, no nosso caso foi o Leite Xemose da Uriage, pela manhã e à noite depois do banho, e este deve ser com água tépida e com uma duração de 5 a 10 minutos, máximo. Usar a pomada com corticóide apenas em situação SOS para restabelecer o equilíbrio da pele e apenas nas zonas críticas. Fazer os testes de alergia a alimentos.

Porquê esta última recomendação? Porque uma criança com dermatite atópica é uma criança com potencial alergénico a várias coisas como ácaros, pólens, alguns alimentos, entre outros. 
Quando fizemos os testes acusou apenas uma ligeira alergia à clara de ovo e ficou sem comer alimentos com ovo, albumina ou lisosima de ovo durante bastante tempo. Isto incluiu gelados comuns, certas bolachas, bolos, alguns queijos (sim, alguns queijos contêm lisosima de ovo e ele ficava com manchas à volta da boca).

A dermatite atópica do Vicente não condicionou muito a sua vida na verdade. Depois de ser tratado para a crise das dobras da pele, por volta dos nove meses a coisa estabilizou e precisámos apenas de manter a pele hidratada. Continuámos a usar o creme hidratante da Uriage para o corpo. Passamos a usar o gel de banho para peles atópicas da Bioderma, que mantemos até hoje. E na cara só resultou o Nutratopic da Isdin. Este creme é excelente para as crianças que ficam com a pele do rosto muito seca no inverno, que era o caso do meu filho e usamos sempre até aos quatro anos. Hoje em dia, mantenho apenas o óleo de banho da Bioderma ou o gel de banho da gama Topyalise da SVR, vamos alternando. Não usamos mais nada na pele dele, à exceção de uma das pomadas do irmão quando notamos que o Vicente começa a coçar muito os pulsos. Esta é a única zona do corpo que ainda mantém vestígios de dermatite atópica.
A partir dos três anos começámos, aos poucos a reintroduzir o ovo completo na sua alimentação sem qualquer reacção adversa e já pode comer de tudo sem alergias.

Em relação ao Vasco, a coisa não foi tão simples assim. Se por um lado, sabíamos logo do que se tratava quando começaram a aparecer as primeiras zonas secas, manchas e comichões, por outro lado a agressividade da doença neste segundo filho foi muito maior do que no primeiro.

A pele do meu filho metia dó. A sério! 

A partir do segundo mês de idade começou a saga. Mais cedo do que no Vicente. A pele dele começou a ficar espessa, áspera ao toque. E em nada se assemelhava a uma pele macia de bebé. O meu filho acordava de noite com comichão. Ele nunca aprendeu a dormir descansado porque não conseguia dormir, tal era o incómodo que sentia.
Nós já sabíamos da maior probabilidade em ter um segundo filho com esta condição, por isso comprei logo durante a gravidez, os cremes que achei adequados para a pele atópica. Comprei Bioderma porque o Vicente dava-se muito bem com a gama. Claro que nos apercebemos que não estava a funcionar para o Vasco, apesar de ser uma boa opção para grande parte das crianças.
Mudámos mais três vezes de marca. De cada vez que mudávamos a pele dele reagia muito bem, melhorava nos primeiros três dias e ao quarto dia voltava a fazer a mesma reacção. Áspera ao toque, manchas avermelhadas e comichão.

Este é o Vasco com quase quatro meses

O Vasco tinha as mãos sempre próximo de fazer ferida, assim como as dobrinhas dos pés. Eu hidratava a pele dele com todos os cremes que podía usar mas nada ajudava. Felizmente, nunca chegou ao ponto de fazer infecção mas era uma aflição ver a pele dele assim.

Aos quatro meses fizemos uma pesquisa e marcámos consulta numa especialista em dermatologia pediátrica, a Prof. Dra. Maria João Paiva Lopes, responsável de Dermatologia Pediátrica no Hospital de D. Estefânia. Foi a nossa salvação, e da pele do Vasco. Claro que não conseguimos evitar as pomadas com corticóides até repôr por completo o equilíbrio da pele do Vasco. Mas esse tratamento, aliado aos hidratantes mais específicos para a situação do meu filho, foram o mote para a mudança radical da sua pele.

Foi a Dra. Maria João que me apresentou a marca SVR e, especificamente o hidratante da gama Topyalise para tratar a dermatite atópica. Esta gama tem a vantagem de poder ser usado por toda a família em segurança.
A partir do primeiro tratamento intensivo de hidratação a pele do meu filho mudou e a sua qualidade de vida também. Nesta primeira abordagem tivemos que aplicar uma pomada com corticóides em todo o corpo duas ou três vezes por semana (não me recordo bem) e mudar o gel de banho que estava a usar para um óleo de banho lenitivo da marca Aveeno, gama Skin Refief. Este óleo de banho associado ao creme Topyalise é o nosso tratamento diário ad eternum (palavras da nossa médica).

A pele do Vasco começou logo a ficar mais macia, tal como a de qualquer outro bebé. Demorou cerca de dois meses até chegar a esse ponto mas sentíamos bem a diferença ao toque. Ainda assim, manteve sempre algumas manchas de pele seca e a respectiva comichão ao longo do corpo, durante bastante tempo.
Hoje, com 25 meses a sua pele está geralmente bem. No entanto, as suas mãos são a zona mais crítica, com a pele sempre muito seca, áspera e com comichão. É apenas nesta zona que mantemos o tratamento com corticóides duas vezes por semana. No resto do corpo já não existe essa necessidade.
Este processo foi bastante longo, ainda é, e dispendioso. As consultas de dermatologia têm que ser feitas a cada três ou quatro meses para verificar a evolução do tratamento e os cremes são caros.

Mas não poderia agir de outra forma para o bem estar do meu filho.


Claro que também fizemos uns testes para conhecer as suas alergias alimentares, e surpresa das surpresas, também tem alergia a clara de ovo. Mas só na sua vertente crua, felizmente, porque este miúdo devora ovo cozido. 

Ah, e em caso de estarem com dúvidas acerca da higiene das suas mãos, se o deixo mexer no chão, na terra e apanhar bichinhos... sabem que sim! Anda sempre como quer, se é para apanhar folhas, apanha. Se é para mexer na terra, mexe. Desde sempre sem restrições (ou quase, há aqueles dias em que gosto que se mantenha limpinho por algumas horas...).
E o que dizia a médica acerca disto? Que o faça. Por favor, que o faça. Porque quanto menos se evitar o contacto com a natureza, mais defesas vai ajudar a criar, naturalmente. Sempre atentos às possíveis reacções do seu corpo, mas deixar a criança explorar sem limitações impostas por hipotéticas alergias que provavelmente nem têm.
 
Peço desculpa pelo artigo extra longo mas esta minha partilha serve também para vos dizer que existem inúmeras marcas de cremes no mercado que são excelentes no tratamento desta condição mas que não resultam em todas as crianças. Se for o vosso caso, procurem um especialista que vos dê as indicações necessárias porque vai ajudar muito na qualidade de vida do vosso bebé e, consequentemente na vossa vida como pais.


Beijo




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