A mulher também é uma prioridade


"Mamã, quero comer"
"Mamã, vem brincar comigo"
"Mamã, és tu a contar a história"
"Ó mãe, venha buscar o menino porque ele está com febre"
"Ó mãe, as actividades na escola começam na próxima semana"
"Mamã, tem doi doi"
"Mamã, água no copi"
"Mamã, queo i à rua"...

Com isto e outras, tantas, coisas vamos perdendo a nossa identidade e o tempo que tínhamos só para nós próprias enquanto mulheres, se não tivermos cuidado.


Primeiro, perdemos o nosso nome assim que engravidamos. Já nem é preciso nascer o bebé, não. Assim que chegamos à primeira consulta em que já se nota a barriguinha, pumba! "Olá mãe, como está a correr essa gravidez?" E pronto, a partir daqui é sempre a piorar. 

Depois perdemos o nosso tempo. Até o primeiro filho nascer, a vida fluia com alguma calma e serenidade. Havia tempo para fazer depilação sem chegar a parecer o abominável homem das neves, tempo para arranjar as unhas sem o verniz sair sozinho porque simplesmente já está farto de ti, tempo para arranjar as sobrancelhas sem ficares a parecer o teu tio-avô. Havia tempo para jantar fora com o teu marido, e vontade de sair de casa à noite em vez de te mandares para a cama e aproveitar a folga de filhos para dormir 15 horas seguidas, tempo para ir ao cinema sem ser para ver o último filme de desenhos animados mais incrível dos últimos tempos, tempo para fazer exercício frequentemente em vez ser apenas de 15 em 15 dias. Havia tempo para tomar banho descansada sem ninguém a observar e ainda tempo para besuntar o corpo em creme hidratante, que maravilha!

Óbvio que não trocava nada destas coisas e esta falta de tempo pelo amor que tenho agora em casa. 

Mas brincando com isto, vamos percebendo que, durante algum tempo é difícil manter o nosso bem estar equilibrado.

É difícil manter a mulher como uma prioridade.

Não digo para nos termos como a primeira prioridade, não, mas manter o cuidado connosco, com a nossa saúde e até com a nossa beleza, uma das prioridades.

Os nossos filhos serão muito mais felizes se a sua mãe for feliz e lhes transmitir autoconfiança, autoestima, se estiver bem na sua pele e, mais importante ainda, saudável. 

Para isto é necessária uma organização especial e alguma ajuda para ter pequenos momentos de lazer, de exercício ou de beleza. O simples facto de arranjar as unhas ou fazer a depilação a tempo e horas, sair do banho e conseguir colocar um bom creme hidratante em todo o corpo, sair de casa para ir ao ginásio ou correr alguns quilometros são pequenas coisas que devem continuar a fazer parte da rotina da mulher após ter sido mãe. Tenho tido ajuda do meu marido para conseguir tempo para estas coisas. Não é ajuda, é o saber que ambos precisamos de nos cuidar e por isso também insisto para que ele vá treinar sempre que chega a horas decentes do trabalho. Também sei que gosta de ter o seu tempo para ler um livro.

Se uns dias sinto que não tenho tempo para nada disto (e não tenho mesmo, ainda hoje tenho o verniz das unhas a descascar!), há outros em que aproveito para ter alguns mimos. Mantenho na minha lista o meu eu como uma das minhas prioridades. Se eu me sentir bem, bonita e em forma, os meus filhos só irão lucrar com isso porque estarei mais confiante perto deles e eles irão receber e assimilar essa energia positiva.

Hoje em dia grande parte das mulheres têm mais cuidado consigo e não deixam de se sentir mulheres depois de serem mães. Porque a vida profissional assim o exige ou porque a informação é maior ou porque já percebemos que ser mãe não é o que nos define. É o que nos ensina.

Ser mãe de dois rapazes, um deles ainda comigo e ter dois trabalhos em part-time, sendo um deles em casa que me obriga inevitavelmente a tratar da casa em si, deixa-me pouco tempo para mim. Mas faço questão de ter esse tempo, por pouco que seja. Algumas vezes não tenho é vontade de fazer nada por mim, de tão cansada, e isso também é válido. Não fazer nada já é um miminho (e que bem que sabe!).

Mães, não se esqueçam da mulher que já o era antes dos vossos filhos nascerem.

Beijo

Comentários

  1. Tão verdade Rita... E tão difícil de fazer!!!

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    1. Não é assim tão difícil. Ou melhor, em alguns dias é sim, impossível até! Mas temos que ser nós próprias a mudar o chip, a pensar que também somos importantes e merecemos ter tempo para um pequeno mimo.

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