Onde dorme o bebé?


Eu sei que já mencionei isto algumas vezes, em várias publicações, mas se pensarem bem, a privação de sono a que um bebé nos obriga nos primeiros meses, sendo algo perfeitamente normal e para o qual os pais se vão preparando psicologicamente ao longo da gravidez (ou não), é das coisas que mais nos afecta. Seja o nosso humor, o nosso discernimento, a nossa paciência, e no limite, até o nosso físico. Sim, quantas vezes nos sentimos cansados sem ter feito sequer exercício ou qualquer tipo de esforço físico naquelas primeiras semanas após o nascimento do bebé?! 
Por isso, não é de estranhar que tenha este tema sempre na ponta da língua.

Ao fim de algumas semanas, um ou dois meses, o nosso cérebro habitua-se a uma nova rotina que obriga a acordar várias vezes por noite, de preferência durante pouco tempo para que não desperte verdadeiramente e consiga voltar a pegar no sono facilmente. Grave é, quando o bebé em questão não volta a adormecer facilmente e obriga os pais a permanecerem acordados durante a madrugada, sabendo que no dia seguinte é dia de trabalho e não de descanso.

O nosso primeiro bebé tinha uma rotina muito fixa, em que acordava a cada 3 horas durante a noite até aos seis ou sete meses. A partir daí passou a acordar apenas uma ou duas vezes para beber o leitinho, calhando sempre sensivelmente às mesmas horas. Foi nessa altura, aos nove meses, que conseguimos fazer a transição para o seu próprio quarto, e para a cama de grades. Claro que eu tinha que sair do quarto só depois de o adormecer bem ou então, de gatas e método ninja.
Só por volta dos dois anos é que deixou de acordar durante a noite e passou a beber o leite antes de dormir. Todo este ritmo foi definido por ele, e nós pais, andámos ao seu ritmo. Não conhecíamos outra realidade e assumimos que este era um comportamento normal para uma bebé saudável e enérgico como o Vicente.

Com o nosso bebé mais novo, a história sempre foi outra, como já vos contei por aqui. E eu sem saber acabei por colocar mais pressão sobre mim por não ter feito qualquer pausa no trabalho após o nascimento do meu filho. 
Por trabalhar a partir de casa, pensei que fosse fácil conciliar as coisas e tratar dos assuntos mais urgentes durante as sestas em vez de aproveitar para também eu descansar. Já que as noites eram tão desgastantes. Além do trabalho tinha também as tarefas da casa para tratar. Assim, nem descansava durante a noite nem durante o dia e quando, o Vasco acordava à noite sem conseguir voltar a adormecer começava logo um ciclo de stress, para mim e consequentemente, para o bebé. Em vez de se sentir seguro nos nossos braços, assimilava a nossa ansiedade e angústia, fazendo com que não se conseguisse acalmar.

Arrependo-me daquelas primeiras semanas. Queria ser o melhor para todos e não fui para o meu bebé.

Agora tudo está melhor. Ao longo destes longos meses de pouco descanso, os sonos começaram a estabilizar. Notámos uma melhoria a partir dos 15 ou 16 meses, mas nada de extraordinário. Nessa altura ainda acordava duas ou três vezes e na maioria delas, voltava para o nosso quarto, para o podermos embalar no berço e tentar descansar o resto das horas que faltavam para o despertador voltar a tocar.
No entanto, foi depois das férias de Verão, quando voltamos para casa, que notamos a maior evolução.

O Vasco finalmente, começou a fazer algumas noites sem acordar.

Notei logo diferenças na hora da sesta em que pedia para adormecer na cama de grades, no quarto dele e não ao colo. Por isso, tentei fazê-lo também à noite. Às vezes resulta, outras vezes nem por isso.
Umas noites ouve a história que eu conto ao mano enquanto lhe seguro na mão, outras noites pede colo ao papá para que o adormeça no embalo. Ele demora muito tempo a adormecer, e isto vamos trabalhando com ele aos poucos,tal como temos feito. 

Pelo menos agora já não acorda durante a noite (com uma ou outra excepção), o que faz uma diferença tremenda no nosso bem estar. Eu e o meu marido conseguimos fazer horas seguidas de sono que já se podem considerar saudáveis. Ele chega a dizer que bastam 6 horas seguidas e já se sente outro, imaginem só o estado em que estávamos. Que nem dormiamos mais do que 5 horas seguidas há tanto tempo. Já passou. Ou, pelo menos, assim o espero!



Mas... há sempre um "mas"! Cheguei à conclusão que o berço que ainda está no nosso quarto começa a deixar de ser necessário. Cheguei à conclusão que o meu filho está a crescer muito rápido e em breve passa a adormecer sempre no quarto com o mano e a dormir lá até de manhã. Não sei se é por ter a minha atenção partilhada com outros assuntos, mas sinto que este bebé cresceu mais rápido. Que estes quase dois anos passaram sem eu aproveitar todos os segundos como fiz com o Vicente. Ou será que aproveitei?! Tenho medo de não me ter dado tempo suficiente de namoro. 

E com isto, o nosso quarto vai ficar mais vazio brevemente e quiçá para sempre. 
Cheguei à conclusão que se encerra aqui um capítulo.

Beijo

Comentários

Mensagens populares