Escolhas simples criam confiança

No dia agendado para as fotografias na escola, lá foi o Vicente vestido a preceito, mas muito confortável. A ideia era fazer boa figura na fotografia e poder brincar durante o restante dia sem se preocupar com a roupa. 
Para mim não há nada mais simples do que um pólo e um calção para dar um ar arranjadinho sem lhe dar desconforto ao longo do dia. Para minha satisfação, o Vicente sente-se muito confortável com pólos e camisas (estas apenas nas estações mais frescas) e escolhe-os muitas vezes para usar.



"Escolhe-as" é a palavra chave. É ele que escolhe cada peça de roupa, diariamente. Eu oriento, às vezes, mas incentivo sempre a que seja ele a escolher a sua roupa e calçado. E estas escolhas não se ficam pela roupa. É ele que escolhe a história que contamos antes de deitar, o garfo e copo que prefere usar nas refeições (apesar de não existirem muitas hipóteses), a caneca do pequeno almoço, a fruta, o reforço de lanche que levamos para o parque. Já lhe perguntei muitas vezes o que preferia comer ao jantar, dando as hipóteses concebíveis e cumpri, mesmo quando me pediu lentilhas com ervilhas e feijão verde lá do alto dos seus 3 anos.

Pela sua independência, confiança e criatividade.

São tudo escolhas simples mas que o incentivam a tomar decisões com as quais terá que viver durante aquele dia. Sabendo que foi ele próprio que tomou certa decisão, torna-se menos provável que haja uma discussão ou uma birra. Desde muito cedo que temos esta posição cá em casa, porque sempre considerámos que a criança tem vontades que devem ser respeitadas. E mais do que vontades de criança, as decisões que lhes damos para tomar ensinam-nos a ter noção de responsabilidade sobre as suas escolhas. 

No dia-a-dia é tão mais fácil preparar previamente a roupa da criança, o calçado, o lanche, o pequeno-almoço. Ter tudo pronto para quando precisamos de as levar a escola ser apenas vestir, comer, calçar e já está. A história da noite escolhida pelos pais para ser a mais curta para despachar, ou a mais didáctica em vez de uma mais tonta e divertida. É mais fácil mas menos benéfico para as nossas crianças. 

Quero que os meus filhos tenham desde novos uma palavra a dizer sobre a maioria das coisas que os implica. E conforme vão crescendo, quero que tenham uma opinião sobre tudo o que lhes diz respeito directamente. Eles são meus filhos mas têm uma identidade própria, que quero que desenvolvam com confiança. Essa confiança só irá ser fortalecida se tiverem a noção de que os seus pais confiam neles para tomarem algumas decisões sozinhos. 

Como fazem a gestão de decisões? Deixam-nos tomar todo o tipo de decisões ou tentam sempre dar a volta por cima?

Beijo

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