Trabalhar em casa: é possível mas será fácil?

Eu sei que já não escrevo há mais de uma semana, mas acreditem que não é por falta de conteúdo. É apenas por falta de tempo. Tenho tido mais trabalho e o Vasco tem-me dado mais trabalho durante a manhã. Infelizmente, em dias que temos mais para fazer, as horas não esticam e algumas coisas têm que ficar para trás.


No meu último post falei sobre como é possível ter um espaço bonito e acolhedor para trabalhar, mesmo numa casa pequena como a minha. Podem espreitar aqui as fotos deste cantinho que criei na minha sala.
E tal como referi antes, a decisão de trabalhar a partir de casa não foi fácil e não foi tomada de ânimo leve, foi até bastante ponderada e entre casal colocámos na balança os prós e os contras.
Numa fase inicial, a descisão nem foi tomada por nós, foi-nos imposta pela empresa onde trabalhava que não tinha mais condições para manter o meu posto de trabalho. E descobri que estava grávida quase em simultâneo. Depois de já estar (desempregada) em casa como Vicente há cerca de 18 meses e de ter concluído o curso de maquilhagem profissional, ao surgir uma nova oportunidade de emprego a tempo inteiro em horário de loja, seis dias por semana, tivemos que avaliar qual seria a melhor opção para a nossa família.

[ Naquele tempo que passei com o meu filho eu descobri que amo ser mãe. Sabem aquelas mulheres que entram numa histeria controlada (ou não) quando vêm um bebé? Nunca me senti assim. Nunca tive uma vontade aguda de pegar em todo e qualquer bebé alheio ou de desatar a fazer caretas e vozes de desenho animado. E quando vejo algum destes momentos lembro-me sempre do filme "Olha quem fala".
Desde nova que queria ter filhos mas tinha até algum receio de não gostar de ser mãe. Felizmente os meus receios eram infundados e tem sido até agora a melhor experiência da minha vida. ]

Uma oferta de emprego a tempo inteiro tem sempre a sua importância e peso ao nível do orçamento familiar e não podia ser ignorado, no entanto eu queria ter a oportunidade de continuar a acompanhar o Vicente nos seus primeiros anos e trabalhar em maquilhagem. Como nem sempre as coisas nos correm mal, surgiu a oportunidade de trabalhar a tempo parcial a partir de casa com a vantagem adicional de conhecer a maioria da equipa de trabalho. E aceitámos sem hesitar. Sim, no plural porque esta decisão, apesar de se tratar do meu trabalho, não podia ser tomada apenas por mim. Uma situação destas afecta não só a mim mas também o meu marido e como tal ele tem toda a legitimidade de me ajudar nesta escolha.

Este resumo da minha vida para dizer que não pensem que é pêra doce. Tentar trabalhar 4 ou 5 horas em frente a um computador com um bebé / criança em casa é difícil. As crianças mais novinhas estão sempre a exigir a nossa atenção. Ou porque ainda não sabem brincar sozinhas, ou porque se fartam rapidamente de qualquer actividade que comecem a fazer, ou simplesmente querem mimo e estar verdadeiramente connosco. A minha solução passa muitas vezes por trabalhar um pouco durante a manhã enquanto o pequeno (que agora é o Vasco, o mais novo enquanto o mano Vicente já está no Jardim de Infância) ainda está bem disposto, um pouco durante a tarde enquanto dorme a sesta e muitas vezes à noite depois de deitar os manos. O problema é que fico com a sensação de estar sempre sentada ao computador.
E dizem as pessoas de fora: "Ah que bom! Então tens a casa sempre impecável, limpa e arrumada. Que sorte trabalhares em casa, nem precisas de empregada!" Falso! Sim, para mim é uma sorte poder trabalhar em casa. Só não tenho empregada porque trabalho a tempo parcial e não me dá jeito pagar a uma pessoa para me ajudar nas tarefas domésticas, mas que me dava um jeitão não tenham dúvidas. Não tenho a casa sempre arrumada, mas tento. Não tenho as roupas sempre em ordem, mas tento. Não tenho a casa sempre limpa, mas tento. Não tenho sempre as refeições planeadas, mas tento não cometer erros muito frequentemente.
E aliar a isto, vários de trabalhos de maquilhagem em televisão, não raras vezes à noite depois de um dia de trabalho em casa, editoriais de moda, noivas e batizados, que são normalmente ao fim de semana.

Agora, que adoro poder acompanhar os meus bebés até aos seus 3 aninhos, não nego. É também para eles extremamente positivo terem uma mãe disponível para as suas necessidades nos primeiros anos e não terem a necessidade de entrar numa creche com poucos meses de vida. Por melhores que sejam as instituições e as educadoras, e são boas, considerámos que o melhor para os nossos meninos era ficar comigo até ser possível.

Posto isto, as mamãs ou papás que tomam este tipo de decisão, não o fazem para ter menos trabalho. Pelo contrário, temos plena noção [achamos nós] que esse será ainda maior, pois existe toda uma logística doméstica para conciliar com a educação de um bebé e com um trabalho a partir de casa.

E desse lado, alguém numa situação idêntica? Ou conhecem alguém? Deixem os vossos comentários e partilhem o blog com quem conhecem que esteja na mesma situação para podermos partilhar experiências.

Beijo

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