5 anos depois, o regresso

Gostamos de controlar tudo e saber o que vai acontecer a cada dia, a cada semana. Temos mais ou menos um plano traçado e, sem grandes percalços, a vida vai correndo como imaginamos certo? Errado!

"Quando casei
estava longe
de imaginar que 
ía ter a experiência
de uma
mãe solteira.

Não me separei! Não, mas fui em parte, mãe solteira. Um ano e pouco depois de casar e de vivermos juntos, eis que o marido teve que se mudar de malas e necessaire para outra cidade, não muito longe, é certo, mas longe o suficiente para passar toda a semana fora e ficar em casa apenas durante o fim de semana. Por coincidência, fiquei desempregada. Quinze dias depois tivemos a melhor notícia da nossa vida, estávamos grávidos! Era a melhor notícia da nossa vida mas como em tantas coisas da vida, o timing parecia não ser o melhor. E agora? Ok, era isto que queríamos e não foi completamente inesperado, mas estamos a viver em casas diferentes... Enfim, vamos a isto.

Durante a gravidez tivemos que gerir as mudanças cá de casa para acolher a nossa cria durante os fins de semana. Durante a semana eu planeava o que precisava e fazia todas as compras de roupinhas e acessórios, tudo controlado e sem stress algum. Felizmente tive uma gravidez "santa", sem percalços e sem qualquer problema de saúde. Tanto que me arrisquei a montar alguns móveis do quartinho da cria conforme os íamos comprando. Só não fiz as pinturas no quarto do bebé porque não ía ficar nada de jeito e o avô ofereceu-se logo para o fazer.

Depois do Vicente nascer é que chegou a grande prova. Sería eu capaz de superar este desafio? Seríamos nós capazes de gerir esta mudança? Este sentimento é partilhado por todos os casais, com certeza. Mas eu sabia que ía ficar sozinha durante cinco noites, todas as semanas, com um bebé completamente dependente das minhas decisões. O papá teve direito ao seu (quase) mês de licença e ajudou tanto nesse primeiro impacto. Mas e depois? Tive tantas dúvidas. A verdade é que ainda tenho.

O Vicente foi um bebé calmo, mas acordava todas as noites de três em três horas feito relógio até aos 6 meses de idade. Bolas, que me custava tanto! Conto pelos dedos de uma mão as noites más que teve. Felizmente, não teve cólicas. Apesar de acordar sistematicamente para mamar, adormecia facilmente, menos mal. A partir dos 7 ou 8 meses começou a dormir mais horas seguidas e lá mudou para o seu quartinho, onde se mantém até hoje sem grande stress por dormir sozinho. Sempre dormiu até tarde.
Como eu estava em casa, o Vicente passava os dias comigo. Foi tão bom vê-lo crescer todos os dias, explorar o mundo à sua volta e descobrir as suas capacidades.

"Por passarmos tanto
tempo juntos,
criamos uma boa
dinâmica e sinto
que temos uma
cumplicidade única.

Ainda assim, tinha dias que só me apetecia estar sozinha, ou não estar constantemente atenta a ele. Como nunca dormiu grandes sestas diurnas, a minha atenção era totalmente virada para ele. É desgastante. O fim de semana era a minha pausa. O papá aproveitava todos os segundos, mas sei que lhe custou muito não estar connosco todos os dias. Mesmo que fosse apenas ao final do dia, para lhe dar banho e ajudar a deitar. Contar uma história ou embalar. Só pôde fazer isso duas noites por semana, mas eram os seus momentos preciosos.
A meio do caminho, tirei o meu curso de maquilhadora e comecei a trabalhar, aos poucos. Comecei ao mesmo tempo, a trabalhar a partir de casa. Por isso, quando recebemos a notícia de que estávamos grávidos outra vez, tornou-se evidente que ficar com duas crianças a tempo inteiro e conseguir trabalhar e gerir as tarefas domésticas sería impossível. O Vicente entrou na creche, já depois dos 3 anos e o marido, graças a uma empresa com sentido de responsabilidade familiar, teve a oportunidade de repartir os seus dias de trabalho entre Abrantes e Lisboa, passando a estar em casa quatro noites por semana.

Durante 5 anos a nossa vida foi assim, o necessaire do marido na bancada da casa de banho durante o fim de semana, pronto para sair todas as segundas-feiras bem cedinho. 5 anos certinhos. Dois bebés pelo meio. Foi difícil, mas por agora, ele regressou.

Tenho apenas uma experiência de mãe solteira em part-time, e é difícil. As mães que o são por completo, pelas várias razões da vida, são verdadeiras heroínas. São mulheres de fibra e um exemplo de dedicação.

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